domingo, 28 de abril de 2019

GORA EUSKADI



GORA EUSKADI

Gora…. Gora…
Gora… Euskadi.
Minha terra de adoção.
Gora…. Gora, Iturrinha…
Meu sinal… de devoção.
Gora… Gora, Euscalduna
Ânsia de libertação…
Gora… Gora, Euskalerria…
Chamamento p’ra União…
Irúnha, tu és Navarra…
Tu não és Aragonesa…
Muito menos Castelhana…
Junta-te aos teus irmãos…
Seus gritos vem de Biscaia…
Ouço gritos… vem de Euskadi…
De Guernica… destroçada…
Álava já escuta, inquieta…
Guipúscoa já se levanta…
Euskadi… todo estremece.
Ergue-te Tolosa orgulhosa.
Redime-te Loiola… redime-te.
Que rei estranho serviste…
Um rei que não era o teu…
Vai a Aránzazu… no “Espinho”

Espiar tua traição…
Não queiras Eiskadi pensar,
Por cabeça de Castela…
Que Castela está na Espanha;
Mas Espanha não é Castela.
Gora… Gora…
Gora Euskadi…
Gora Portugaleuska…

Abril – 2019
Anselmo Vieira

NOTA:

Homenagem ao país e Povo Vasco, onde vivi mais de quatro anos.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

O ENCONTRO


O ENCONTRO

Não se sabe o lugar da travessia do Rio Lima. Mas há uma tradição que diz que o general Romano terá tentado uma fundação, do lado direito do rio, no lugar da travessia, e lhe terá dado o nome de Bretónia, em alusão ao seu nome: Bruto. Eu concluo, então, que esse sítio será Bertiandos, nome actual, que por evolução linguística e, ou, fonética, terá derivado de Bretónia para Bertiandos, por evolução cuja explicação, deixo para pessoa mais erudita. Há mesmo outra tradição que fala duma Bretónia, de cuja localização se desconhece, por dela se ter perdido a memória. Mas se presumia na região do Lima, talvez Bertiandos e que teria chegado a ser sede dum bispado, na Alta Idade Média.
Para uma travessia a vau, este lugar seria o mais indicado, pois é este o ponto morto do rio, entre as correntes que vem de montante e as influências das marés que sobem o rio até Fontão.
O ponto de chegada do exército Romano atingiu o Rio Minho em S. Pedro da Torre, e combateu-se, desde a freguesia do Cerdal até ao Rio Minho, em campo aberto, e terreno chão.
A História fala de vitória Romana. Mas eles à vista da cidade de Tui, seu objetivo, não se atreveram a atacar. Desistiram rapidamente e retrocederam, apressados. No campo de Cerdal, vi ainda, as duas mamoas. Restos das das cerimónias fúnebres, feitas aos mortos; e que parecem mais homenagens Celtas, que Romanas. No mesmo terreiro de combate celebra-se, todos os anos, a festa de todos os Santos e uma ermida, que bem pode ser a continuadora de algum santuário pagão.
Mas, os Romanos, ficaram impressionados com as roupas garridas das mulheres galegas, e cores vivas e bem combinadas, na sua variedade. Levaram para Roma os processos da sua produção e confeção. E sabendo que os naturais daqui usavam para fixar as cores vivas, urina humana que juntavam em vasilhas, não se limitaram a copiar os métodos de produção, mas importavam a própria urina, desta região de Espanha, pensando que a sua capacidade de fixar as cores, seria específica sua.
O certo é que os Romanos não mais deixaram os Galegos em paz. Acabaram por submetê-los à sua Lei. E os Galegos, tornados cidadãos Romanos, foram tão fiéis que mesmo quando se tornaram Cristãos, fizeram-no, não por Fé ou pureza de Fé, mas por imitar Roma, como se nota nos Cânones dos Concílios de Braga, mesmo no tempo dos Suevos, quando Roma já não tinha força para impor as suas Leis. E quando os abandonou de todo, no tempo de Genserico. Este, ao mesmo tempo que assaltava Roma, destruiu e arrasou as terras do Norte de Portugal e Galiza, desde a Figueira da Foz, até à Corunha. Foi tão atroz esta destruição, que o modo de viver nestas regiões se mudou completamente, assim como os povoados. Os galegos não souberam nem puderam defender-se.
Ficou a memória traumática de palavras como: Vândalo, Vandalismo, Vandalho, Bandido, Banditismo, etc., com tudo de selvático que esses termos significam.
Parece que os Galegos nunca mais souberam formar um governo próprio, desde que Agripa, General de Augusto, reprimiu os seus parentes das Astúrias, matando todos os homens capazes de remanejar armas. Os Romanos chegaram com Décio Júnio Bruto, no ano de 185 antes de Cristo. Foram dados como ausentes por falta de comparência, no ataque de Genserico. Pior, surpreendidos como aliados do inimigo, no ataque deste aos Suevos, defensores do povo Galego.

20 de maio, de 2014

Anselmo Vieira

FONTÃO

Lethes, tapeçaria de Almada Negreiros

FONTÃO

Freguesia minhota da Ribeira Lima, no concelho de Ponte de Lima. Na margem direita do Rio Lima, entre Lanheses e Bertiandos, e S. Pedro de Arcos. No sopé da serra de Arga. A jusante de Ponte de Lima.
É limitada a Este pelo Rio Estorãos, que corta a veiga na direção do Lima, repartindo a dita veiga, entre Fontão e Bertiandos. Pelo Poente é separada de Lanheses pelo Rio Fontão, à volta do qual a freguesia tem origem e do qual herdou o nome.
São estes dois riachos, ou ribeiros, pequenos cursos de água, cujo caudal engrossa no Inverno e se reduz a um fio de água no Verão, e a que os romanos chamaram fontanas e a que os atuais chamam Rego, Rego da Veiga de Cima e Rego do Talho.
São os dois Marcos da freguesia que a limitam a Nascente, da de Bertiandos; e a Poente, da de Lanheses. Provêm de nascentes naturais, uma dos montes de Estorãos e que atravessa a Lagoa de Bertiandos, corta a Veiga e lança-se no Lima; e o Rego do Talho, que desce do lugar da Silvareira, em S. Pedro de Arcos, entra em Fontão pelas Neves, passa pelo Ameal, Toural, Talho, de que adopta o nome, e morre na embocadura do Valo.
Num dado momento, este Fontanos, teve o nome de Rio Podre. Parece que já na época Suévia se chamava: Podre.
Porquê?
Há, em Fontão um outro Rego, de características muito semelhantes, aos outros cursos de água, referidos; mas que deles se distingue por não ser obra da Natureza. É artificial. E tudo indica ter sido aberto, para drenar as águas da Lagoa, abrindo-lhes caminho para o Rio, com a intenção, de secar o leito da Lagoa e aproveitar os terrenos, libertos da água, na obtenção de pastagens para o gado.
Há outras pequenas nascentes. Como a Fontela, que descia para os Linhares e morria nas Regadas. O rio das Rendas, que brota do Alto da Pena, onde se empoleira o lugar do Carvalhal. E o Rebordelo, com origem na Fonte da Vila, e que passa pelo Portelo, seguindo como os anteriores, para as Regadas, este na Veiga das Sebes. Parece que este último romperia pela Veiga e chegaria ao Rio Lima. Todos morriam nas Regadas, que eram naquele tempo, antes da abertura do Rego da Vala, prolongamento da Lagoa de Bertiandos. Esta atingiria, pelo menos no Inverno, o Rego do Talho.
Esta terra estava, pois, praticamente cercada pelas águas da Lagoa. Não devia ser nada saudável. Nem devia, portanto, ter muitos habitantes, antes da chegada dos Romanos. Talvez só alguns em Estorãos. E pode ser que em território de Lanheses, do outro lado do Rio Fontão, no sítio que parece ter sido, mais tarde, uma Suvidade em frente ao alto de Fontão, do outro lado do Rio.
Era esta terra de Celtas. Da etnia galega, cujo centro era a cidade de Tui. Provavelmente Gróvios e Leuni. Ainda persiste um lugar na aldeia de Parada, chamado Grova. Ocupavam a região entre o Lima e a Ria de Vigo. Exploravam os minerais e criavam gado. Pouco sabemos deles. Só que eram muito bons guerreiros, que tomaram parte na expedição de Aníbal contra os Romanos, e que a sua cavalaria se distinguiu na batalha de Canas. Mas povoações desse tempo nestas terras, quase desconheço.
Foram os romanos que os projetaram para a História, quando o general Décio Júnio Bruto, veio desde as terras de Além
do Tejo, Per Loca Marítima, isto é, pelo litoral.Atravessou o Douro, conquistou as terras dos Brácaros e chegou ao Rio Lima.
Aqui deve ter tido de enfrentar um princípio de insubordinação das suas tropas, que talvez cansadas ou com medo, não queriam avançar mais. Convenceu-os a seguir até Tui. Combateu e venceu os Galegos em Cerdal, no lugar onde ainda hoje se faz a feira de Todos os Santos, e lá se encontram duas mamoas, prováveis túmulos dos soldados mortos no combate. Combateram em S. Pedro da Torre, à vista de Tui. Mas atacar a cidade não se atreveu. Retirou-se rapidamente para o Sul, seguindo à vista do mar. E apressou-se a regressar a Roma, a receber o triunfo, apresentando como desculpa do levantamento das suas tropas, o terror
religioso, que os soldados teriam sentido, de esquecer Roma, se atravessassem o rio, que confundiram com o LETIS.

19 de maio, de 2014.

Anselmo Vieira

terça-feira, 2 de abril de 2019

NO TEMPO DE D. AFONSO HENRIQUES

Acácio Lino: A 1ª tarde portuguesa

NO TEMPO DE D. AFONSO HENRIQUES

No séc. XII, todo ele preenchido pelo governo de D.na Teresa e por D. Afonso Henriques, a Vila tinha deixado de existir.
Havia em seu lugar três aldeias, as de hoje.
Em Fontão continuavam as antigas atividades, desempenhadas agora por Homens Livres da terra.
As condições políticas e sociais favoreceram sobretudo os negócios pecuários.
Os muçulmanos recuaram para o Sul. Os Normandos passaram as suas razias, e dedicaram-se ao comércio.
Os Cruzados e peregrinos viajaram cada vez mais a caminho de S. Tiago e da Palestina.
Intensifica-se o comércio das carnes, dos curtumes, do sal e do vinho. As vísceras dos animais alimentam a indústria da Dobrada ou dos Callos em todo o Norte de Espanha, desde a Galiza a Navarra.
Nascem assim, os “tripeiros”, comedores de tripas.
Entretanto o rio Podre corre para o Lima, cada vez mais Podre. E a vida, para os Fontanenses, cada vez mais próspera.
Deve ter sido então, que a aldeia nasceu como figura jurídica de Paróquia. O facto é que sendo a freguesia mais pequena que todas as freguesias vizinhas, pagava ao fisco, o dobro de qualquer uma delas.
Quando D. Afonso Henriques entra em litígio com a Mãe, a agitação nesta região deve ter sido muito intensa, como já fora nos tempos, dos desentendimentos desta, com sua Irmã. O vaivém de tropas e de guerreiros era contínuo. E os comerciantes de carnes da região devem ter beneficiado disso; e os criadores de gado.
Ao falecer na Galiza Dona Teresa, o seu filho tentou haver lá, a sua herança. E certamente procurou, na região de entre Minho e Lima, recursos para estas empresas guerreiras. Entrou em negócio com os Homens livres da região. Era o fisco a impor-se.
Os Homens da terra entram no acordo. Mas, também eles, tem algo a reivindicar: A segurança nos caminhos. “Senhor, reina nos caminhos, que nos campos reinamos nós “.
É que no meio de tantas cavalgadas, os salteadores deviam ser mais que muitos e a insegurança...
Deve ser neste contexto que em Fontão aparecem os Serenos que ao mesmo tempo zelariam pela segurança do povo e pelos interesses do Rei. É interessante, que em Fontão a família dos Serenos, permanece ainda arreigada no lugar do Toural...
Nos reinados seguintes, Séc. XII e pelos XIII a região continua próspera. As Cruzadas repetem-se e o negócio prospera.
Chega o reinado de Afonso III. E o séc. XIV. O assoreamento do Lima. A fundação da cidade de Viana, e do seu porto.
Os barcos já não sobem o rio. Carregam em Viana. E o gado passa também a ser abatido nesta cidade.
O rio Podre vai ficando esquecido, e cada vez menos podre. O tear de ouro deixa de trabalhar. O Valo perde vida. O lugar do Talho não tem sentido. Fica o Toural. Mas as Torres já não vigiam nada. Todas estas lembranças se refugiam no subconsciente do Fontanense. A memória foi-se perdendo. Cristalizou na lenda. A lenda do “Tear de Ouro”.
As águas do rio Podre tornaram-se cristalinas. Mas a antiga prosperidade desapareceu para sempre.
E o rio passou a chamar-se rio do Talho, sem que ninguém soubesse explicar o porquê.

24 de Maio de 2013

Anselmo Vieira

O Rio da Vala



O Rio da Vala
Não sabemos a data certa em que foi fundada a Vila romana em Fontão. Não há registos. Nem admira. Era, apenas, uma vila rústica. Talvez nem tivesse uma casa de moradia para o seu empresário. Mas temos indícios toponímicos que apontam para a família Gala.
O tempo parece apontar para o governo de Júlio César. Este, pela sua ação, criou a melhor oportunidade para a fixação de colonos Romanos, nesta região. As suas vitórias sobre os autóctones e a respetiva escravização dos mesmos, criou as condições oportunas para a exploração em grande escala, da região.
A família Gala acompanhou o Procônsul quando este veio de Roma, como cliente do mesmo. E, sem dúvida, colaborou com ele e ajudou-o na extorsão e roubo das populações locais, reduzindo-as à escravatura.
A extensão da Vila, incluiria todo o território das freguesias a poente da lagoa de Bertiandos, isto é: Fontão, Arcos e Esturãos.
Os limites iriam da lagoa ao Fontanos, a poente, que limitaria com Lanheses.
Esta exploração agropecuária, deve ter tido um início pujante pelos anos 40 A.C., e estaria baseada na força do trabalho escravo.
Pelos anos 40 D.C., com o governo de Cláudio, teve uma grande oportunidade. Estas terras e os seus donos foram chamados a colaborar na conquista das ilhas Britânicas. Receberam as bases de apoio às legiões, empenhadas nas campanhas, e o encargo de lhes fornecer os necessários reabastecimentos. O Valo do Fontanos deve ter sido aberto nessa altura, e fervilhado de atividade.
Foi o início do tear de ouro...
Mais pecuário que agrário, os donos deste empreendimento viraram-se para a lagoa que os cercava e resolveram drena-la para obterem mais pastagens. Tanto mais que às muitas construções por esta época, como a ponte do Arquinho e respetiva via para Valença e Tui, a ponte de Esturãos e da Veiga de Cima, no mesmo rio, exigia muita carne da exploração.
Nasceu assim a necessidade de abrir uma grande Vala, para enxugar os terrenos da lagoa; e as Regadas que faziam parte da Veiga do Rio Lima.
A grande Vala foi aberta, através da Veiga da Anta, a direito, sem meandros à força de milhares de braços escravos.
Num tempo em que não tinham nascido ainda as aldeias, sob uma direção única e um objetivo indiscutível. E, sobretudo, um mandante poderoso.
O tempo e o mandante, podem estar ligados à época do imperador Teodósio, que era espanhol, casado com a princesa Gala Plácida, que bem pode ter sido dona deste empreendimento.
Não temos outros documentos. Mas a Vala continua aberta, e a drenar as águas da lagoa. Na Vala permanece uma ponte de características romanas: a Ponte Nova, apoiada em dois prolongamentos de calçada romana de mais de cinquenta metros para cada lado, servindo a antiga estrada para Ponte de Lima, na direção da ponte mais antiga, e hoje quase enterrada pelo assoreamento do rio Esturãos, na Veiga de Bertiandos.
Não temos documentos. Mas a Vala lá está. E as pontes. E os pedaços de calçada, lá continuam também. Para não falar já da calçada, que atravessa o poço da Liteira.
Depois chegaram os Suevos. Mas estes não foram mais que inesperados comensais, na mesa dos antigos Senhores. A Vila perde a antiga unidade e divide-se em aldeias.
Os antigos Senhores vão desaparecendo. As populações aprendem a viver sem eles, e a dispensa-los.
A exploração essa continua, e ainda se mantém em FONTÃO.
Pode bem ser, que a nascente do Rebordelo desaguasse nas Regadas e que a abertura para o Lima, fosse devida a nova vala. Nas Seves, Reboleira e Caldeirão aparecem novas valas, nitidamente para enxugar terrenos e melhorar pastagens.


Anselmo C. Vieira

DISSERTAÇÃO Enquadramento Histórico e Apreciações

Afonso Henriques por Soares dos Reis

DISSERTAÇÃO
Enquadramento Histórico e Apreciações

Estes acontecimentos dão-se num tempo em que a freguesia de Fontão era já uma entidade jurídica definida, e em que as circunstâncias adversas tinham desaparecido. Estes tempos viveram-se pelos fins do séc. X, decorrer do primeiro milénio da nossa Era. Na nossa região, Galiza e Norte de Portugal, particularmente a zona da serra de Arga, entre os rios Minho e Lima, atuaram os Normandos, que, entrando pelas Barras destes rios, desembarcaram nas terras limítrofes e assaltaram sem dó nem piedade, as populações residentes, às quais levaram destruição e morte. Não havia defesa. Cada um tinha de valer-se a si mesmo.
Os Fontanenses devem ter-se abrigado nos bosques do Ameal, ou subido pela encosta da Silvareira, para o interior da Serra, onde a defesa era fácil e segura; para só regressarem, quando o perigo passasse.
Pelo rio acima, os barcos Viquingues e respetivas tripulações de piratas, semeavam o pânico e o terror. E isso aconteceu, de acordo com o contexto histórico, dos séculos oitavo ao décimo.
Depois, os Normandos convertem -se ao Cristianismo, e entendem-se com os Naturais. As coisas mudam. De terríveis salteadores, tornam-se irmãos na fé.
Continuam a subir o rio Lima, mas agora como amigos e clientes. Trazem mercadorias. Compram produtos.
Trazem o sal de Ovar. Levam a carne.
O gado, outrora cobiçado pelos piratas, dá agora, lucro aos Fontanenses. Junto ao Ameal aparece agora o Toural. E, mais abaixo, mas logo a seguir, o Talho. É o negócio a prosperar.
A princípio, são somente os Normandos. Mas pelo séc. X, surgem os peregrinos de S. Tiago. Depois os CRUZADOS e guerreiros do Norte da Europa, que rodeiam a costa atlântica a caminho da Terra Santa.
São, também, os guerreiros cristãos das Astúrias e de Leão que se deslocam para sul, nas suas conquistas.
Nasce o reino de Portugal. D. Afonso Henriques alicia os CRUZADOS, para a conquista de Lisboa. E, mais tarde, D. Sancho, para a conquista de Silves.
O negócio prospera. O Rei reclama os seus direitos e quer impor o fisco. Os Homens do negócio enfrentam-no, de peito aberto, com a consciência do seu poder, e exigem a segurança nos caminhos.
Chegam a um acordo:”Óh rei...manda nas estradas... Que nos campos mandamos nós!”. O rei compromete-se com a segurança nas estradas. Os seus homens de negócio, garantem o trabalho.
É, talvez, nessa altura que nascem as Torres, lugar de vigia sobre o Ameal e o Toural. E são introduzidos os Serenos, vigilantes da noite, e representantes do rei e dos seus interesses, junto dos homens de negócio, em Fontão. E tem origem uma nova família.
E o tear de ouro, no Valo do Rego do Talho funcionava agora, seguro nas mãos dos Fontanenses.
Alimentam o negócio as guerras de conquista no Alentejo. A conquista do Algarve. A campanha das Navas de Tolosa e do Salado.
Na conquista de Ceuta, as carnes do Norte alimentam os guerreiros. O Povo contenta-se com as vísceras. Nas caravelas dos descobrimentos a carne continua ao serviço da Pátria. Talvez tenha embarcado com D. Sebastião para a atípica expedição.
Depois, o portinho morreu. Caiu no esquecimento. O rio deixou de ser podre...O Talho perdeu o sentido. O Tear virou Lenda.
Há muito que Viana substituíra o matadouro. Desde o séc. XIV, os barcos não subiram o rio Lima. O Talho ficou sem serventia. A família dos Serenos ficou sem trabalho. Mas os Fontanenses ficaram agarrados à criação de gado, até ao dia de hoje.


Anselmo C. Vieira

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Os Normandos e os seus Sucessores

escultura de Irene Vilar

Os Normandos e os seus Sucessores

Os séc. VIII, IX, X e XI, foram tempos cruciais para a formação da idiossincrasia dos Galegos, e dos Fontanenses em particular. São séculos de instabilidade e anarquia.
Desaparecida a autoridade, desaparece a ordem e a segurança. Há guerras, assaltos, fugas e regressos constantes. Há destruições, ruínas, insegurança e fome.
Desaparecido o poder e autoridade, cada um fica entregue à sua sorte... O medo e a confusão instalam-se.
A iniciativa pertence a cada um, e a sobrevivência também… e à sorte. A vida tornou-se num intervalo entre fugas e regressos. Fugas e regressos tornaram-se constantes e parecia que não teriam fim. Mas os naturais voltavam sempre à sua origem, fiéis ao seu lugar.
Os agressores são os Viquingues ou Normandos. Atacavam as costas Galegas. Penetravam pelos rios Lima, Minho, Vouga, Mondego. Atacaram Tui por várias vezes. Chegam a fazê-lo com duzentos barcos de uma só vez. As populações da Ribeira Lima refugiavam-se na serra de Arga, nos seus rebordos ou nos seus cimos. No interior da serra há pastagens para os gados, durante o tempo que for preciso. As encostas, dificultam os ataques e protegem os fugitivos.
Na ria de Aveiro os Normandos exploram as salinas.
Em Coimbra atacam, cativam, destroem e roubam.
Em Guimarães, os naturais constroem para defesa, o seu castelo.
Na Galiza e no Minho luta contra eles o bispo S. Rosendo. Em Coimbra o rei Afonso II das Astúrias, com S. Rosendo.
Até que por fins do séc. X, entre atacantes e naturais, chega-se a um entendimento. Na Galiza primeiro. Mais tarde com os reis Asturianos também.
Aderindo ao Cristianismo, os Normandos dirigem as suas fúrias guerreiras contra os Muçulmanos apenas. Aliam-se aos Cristãos e apoiam-nos nas suas lutas contra os Mouros. Tomam mesmo a iniciativa nessas lutas. E cometem enormes atrocidades.
Atrás dos Viquingues e seguindo-lhes os passos, aparecem os Saxões, os Francos, os Ingleses e Holandeses. Em apoio aos Cristãos Peninsulares, praticam ferozes razias e cruéis matanças em terras Muçulmanas.
Os reis de Leão acolhem-nos, confiam-lhes a defesa das suas fronteiras e dão-lhes a direção das suas conquistas.
Como consequência, surge entre os espanhóis, o complexo perante o estrangeiro: Este é sempre melhor, mais forte e mais competente... Basta que o soldado seja estrangeiro, para ser bom oficial... diz um refrão castelhano.
D. Raimundo e D. Henrique de Borgonha têm essa origem.
Os nossos primeiros reis seguiram esta política. Lisboa, Silves e outras terras são o exemplo.
E não terá tido aqui início a saga do bacalhau em Portugal? Com as alianças do nosso D. Sancho l com os reis da Noruega e da Dinamarca?

Anselmo Vieira

19 de maio de 2013